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Axé Ilê Obá

Em junho passado, o Monoum iniciou mais um interessante e inusitado projeto. A reformulação do site e do logotipo do Axé Ilê Obá, tradicional casa de candomblé de São Paulo.

O Axé Ilê Obá é um terreiro de candomblé fundado em 1975, situado em São Paulo, mais precisamente na Vila Fachini, Jabaquara. Foi o primeiro a ser tombado como patrimônio cultural pelo CONDEPHAAT no estado e o segundo no Brasil. Ao longo do último ano, a casa tem passado por um período de transição, devido ao falecimento da Yalorixá Sylvia de Oxalá, em agosto de 2014. Sua filha, Paula Egydio, assumirá o posto de sacerdotisa.

barracaoNeste momento de renovação, surgiu a vontade de atualizar a comunicação visual do terreiro, a começar por seu site, que para muitas pessoas é o primeiro contato com o templo. A página sofreu uma grande reestruturação, tornou-se mais atrativa, funcional e, o mais importante, traduz este novo momento que o terreiro vive, em que uma nova e jovem Yalorixá estará à frente de uma das casas mais tradicionais do candomblé. Para o processo criativo, primeiramente, as necessidades da casa serviram como guias: divulgação do calendário de eventos, galerias de mídia, contato e um espaço para contar sua própria história. (Clique aqui para visitar o site e conferir o resultado)

Já a criação do logotipo foi o grande desafio do projeto. Em uma religião em que um dos principais fundamentos é o culto aos ancestrais, deve-se respeitar e preservar símbolos e costumes do passado, sejam de cunho ritualístico, cultural ou social. Tudo isso teve que ser levado em conta para a criação da nova identidade, que também deveria atender ao novo momento do terreiro.

A solução encontrada foi manter o mesmo símbolo do logotipo anterior: a coroa de Xangô. Aqui devemos atentar-nos à importância deste símbolo para esta comunidade religiosa: Xangô é um dos deuses do panteão africano, que se tornou muito cultuado aqui no Brasil. Orixá da justiça, do fogo e do trovão. Patrono de terreiros tradicionais, inclusive do Axé Ilê Obá, uma vez que seu fundador, o Babalorixá Caio Egydio, era filho desse Orixá. O logotipo foi, então, redesenhado à semelhança de uma estrutura que representa esta coroa, existente no centro do salão, desde a fundação do terreiro, há mais de 40 anos.

As cores utilizadas no logotipo também fazem referência a este Orixá e ao passado, presente e futuro da casa. O vermelho e branco são as cores de Xangô, enquanto que observadas individualmente, temos o branco de Oxalá e o vermelho de Yansã, Orixás respectivamente de Mãe Sylvia e Mãe Paula, sucessoras de Pai Caio na zeladoria da casa. Também foi criada uma paleta de cores a partir do vermelho original. O rosa, cor também atribuída à Yansã, muito usada em suas roupas, e o marrom, outra cor atribuída a Xangô, principalmente em seus fios de contas.

coresPara a tipografia, foi utilizada a fonte Bahiana, com pequenos ajustes de kerning e alinhamento. Inspirada na xilogravura, técnica utilizada no Cordel, expressão artística característica do nordeste brasileiro, região onde estão localizados os terreiros de candomblé mais antigos do país. A estética “artesanal” se adequa e reforça alguns princípios da religião.

fonte01O Monoum agradece a todos os envolvidos no projeto e se orgulha de ter participado de um trabalho tão importante e bacana. E que venham muitos mais como este!

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